sábado, 22 de dezembro de 2012

Mágoa


O amor foi um caminho que procurei,
crente de que o haveria de encontrar.
Porém, quando, cansada, o encontrei
depressa ele me voltou a magoar.

Cessem das paixões que não podem voltar!

O amor perfura agora o meu coração
e é uma dor difícil de aguentar...
Como uma rosa, sedente de emoção
e com espinhos que cravam e voltam a cravar.

Cessem das emoções que acabam por magoar!

O amor são as lágrimas de dele precisar,
são ciúmes que voltam como o vento.
São as pétalas que acabam por murchar,
é ter de viver assim, num tormento...

Cessem dos falsos carinhos de alento!

Eu quero esquecer e voltar a esquecer
esta alma impura que é o amor.
Contudo, só mesmo se morrer
é que esqueço toda esta grande dor.

Cessa de uma vez por todas
desses lábios sem mais cor!!

Lia.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Auto retrato



No reflexo de água pura paro para observar
a alma inocente que nele habita...
Uma doce alma sempre pronta a ajudar
apenas os mais fracos, quem mais necessita.

Vislumbro o olhar altivo e carente
de vivos e grandes botões de açúcar torrado.
Um olhar de felicidade, doce e ardente
como o coração ao qual está destinado.

Revejo as pétalas suaves e clandestinas,
pétalas vermelhas, sangrentas de paixão.
Revejo a história destas minhas meninas,
lábios que sempre desejaram o irmão.

E o cabelo que é nada
e que, afinal, tudo acaba por ser?
E o perfume a rebuçado da Prada,
a grande dádiva de poder escrever?

E as assas triunfantes e ilegais
que comandam todas as minhas acções?
Quais os maiores sonhos? Quais...
E as vidas nos meus dois corações?

Enquanto reflicto, observo esta água pura
a encharcar-me de esperanças e contos de fadas,
da vida para além da morte, de muita loucura
e de sonhos, paixões, personagens aladas...

Lia.